domingo, 19 de setembro de 2010

Ahhhh, que saudade de postar!




Gente, eu (e a Carol também) estava com saudades de postar por aqui. Primeiramente, iriamos mudar de endereço mas vimos que ficar onde estávamos era melhor. A vida, às vezes, é assim mesmo, né? A gente precisa sair, ver o novo, ver o que serve, o que não serve, para depois mudar (ou não).

Nestes quatro meses teve tanta criaestrada. A própria Carol virou crianaestrada total. CAROL CADÊ AS FOTOS DE CRIAS PELA ESTRADA???? Vamos tirar o atraso. Vamos voltar aos sentimentos do dia. Vamos voltar aos textos, às fotos, à necessidade de se expressar, de respirar, de se agitar!

Estamos de volta. Mais do que nunca. Agora e sempre!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Brincar, brincar, brincar!


Amei brincar como criança, pintar o rosto, comer brigadeiro, abrir presentes, correr pelo salão, lambuzar a mão. A festinha de aniversário do Davi resgatou muito dos meus próprios aniversários, daquela espera pelos amiguinhos surgindo pela porta, dos deliciosos cansaços pós-festa, de coração cheio de felicidade transbordando.

Eu simplesmente AMEI organizar a festinha do meu lindo. Curti tanto que já começo a pensar no aniversário de dois anos, no ano que vem. Delicia esta coisa de receber as pessoas que amamos, de cantar parabéns, de comer bolo de chocolate. Fazia muito tempo que eu não comemorava de fato uma festa de aniversário. Mais uma vez, Davi me faz renascer para a vida. Me traz o melhor de mim, o melhor da vida. Obrigado dezenas de amigos queridos que dividiram este momento mágico conosco! A vida é cada dia mais bela ao lado de vocês!!!

quinta-feira, 11 de março de 2010

Nascer e renascer



Há um ano Davi nasceu. E junto, nasceram um pai e uma mãe. Avôs e avós, tios de sangue e emprestados. Nasceram doses de dedicação e várias outras de paciência. Nasceram dores no seio, visitas ao pediatra, conversas entre mães. Brotaram brinquedinhos espalhados pela casa, passeios no calçadão da praia, banhos de sol no início da manhã, cheirinho de bebê.

Renasceu vontade de viajar pelo mundo, e agora com mais uma mochilinha ao nosso lado. Nasceu vontade de brincar de Lego, de jogar bola, de sentar na grama do quintal para deixar o tempo passar. Nasceu vontade de fazer festa de aniversário, de escrever cartinha para Papai Noel, de cantarolar Cocoricó, de contar histórias antes de dormir, de explicar como os bebês vão parar na barriga de suas mamães.

Nasceu o desejo de levar para ver o nascer do sol, as baleias, o vento gelado no rosto e tantos outros presentes naturais e diários.

Davi nasceu há um ano e, junto com ele, uma inexplicável vontade de ser simples e de mostrar o quão simples pode ser o nosso mundo. Davi nos faz lembrar que é preciso RE-NAS-CER sempre, dia após dia, todos os dias das nossas vidas.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ciclos!



A vida é um ciclo delicioso. Eu já sabia disso, sempre soube, mas só na teoria. Quando temos filhos sentimos isso na pele, esta coisa dos ciclos. Estou às voltas com o aniversário de um aninho do Davi, cuidando dos mínimos detalhes, da decoração às lembrancinhas. E hoje, procurando adesivos para decorar o envelope do convite em uma loja, lembrei de quando a minha mãe fazia isso. De quando eu era a crianaestrada e saía com ela a procurar os apetrechos da festinha, a comprar pratos e copos, a definir o tema do evento. Eu, sempre muito pitaqueira em tudo. A minha mãe, sempre muito paciente em busca dos meus delírios infantis. “Quero a Turma da Moranguinho em cima do bolo e pratos e copos da Moranguinho”, escasquetava no alto dos meus seis, sete, oito anos.

O Davi vai fazer um aninho e ainda não pitaqueia na organização da festa, mas estou cuidado de tudo com muito daquela menina saltitante. E também com muito daquela mãe dedicada que organizou tantas e tantas festinhas de aniversário para mim e para o meu irmão. Hoje, escolhendo os adesivos no meio daquela loja, tive a sensação (destas de cair a ficha mesmo) que a vida é um ciclo, literalmente. A crianaestrada ganhou festa, cresceu feliz e se tornou mãe. E agora faz festa para a sua cria. Espero que o meu pequeno Davi curta esta e todas as outras festinhas que ainda estão por vir. Que jogue bola na rua, que brinque de esconde-esconde, de pega-pega e de tantas outras brincadeiras dos aniversários. Que delicia reviver a infância, todos os dias, ao lado dos filhos. E, de quebra, ainda entender um pouco mais dos nossos pais. Que delicia de ciclo!

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Mordi a língua



Tá, devo admitir que mordi a língua. Eu, que não dou a mínima para Carnaval, participei de uma folia mirim na casa do Marzinho e da Lisi. E o que é "pior": adorei! Os filhos realmente mudam a gente. Assim que Davi recebeu o convite, lá fui eu atrás de uma fantasia para o moleque. Peguei uma bermudinha de surfista, o chapeuzinho australiano que ganhou dos primos "americanos" Nado e da Cláudia, comprei um colar de flores na primeira loja de 1,99 que achei e lá estava ele com uma fantasia de havaiano, fazendo par com a Maluzinha (filha da Lu Altmann) também havaiana.

Só os filhos mesmo para mudar a gente assim tão rápido. Mas quer saber? ADORO isso. Sou que nem o Raul, prefiro ser esta metamorfose ambulante eterna do que ser aqueles seres de opiniões formadas, radicais e rancorosos que a gente encontra pelas estradas da vida.

Não que eu tenha mudado completamente minha visão sobre o Carnaval, não mesmo. Continuo achando uma festa encalorada, chata e sem sentido. O que mais gostei deste Carnaval foi deitar na cama à noite embaladinha pelo vinho e ver 15 minutos dos desfiles dõ Rio e São Paulo antes de dormir. Isto me agrada. Vende o Brasil, a sua raça e a sua criatividade para os gringos metidos que acham que aqui só tem violência e futebol.

Mas quer saber mesmo? Entre desfiles, festas mirins e calor horroroso de fevereiro, ainda prefiro a Páscoa e o Natal. Mil vezes!!!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

A obrigação do Carnaval

Parece que as pessoas enlouquecem no Carnaval. Existe uma necessidade coletiva de dançar, ficar feliz, se fantasiar (no mais amplo sentido da palavra) ou beber até cair. Ahhh, também tem a necessidade quase biológica de viajar, ir para algum lugar provavelmente lotado, com uma diária de hotel/pousada/camping astronômica, fila por todos os lados e sossego zero.

Não gosto do Carnaval. Não sei exatamente o motivo, mas existe qualquer coisa de falso e triste neste período do ano. Não que as pessoas não estejem realmente felizes, podem até estar. Mas é a obrigação de estar feliz, ou pular em algum clube ou viajar que transforma a data em algo meio hipócrita. O Ano Novo também é assim, mas no dia 31 de dezembro ainda existe um motivo a mais: um ano novo começa, novas expectativas, novas promessas, ainda que tudo continue EXATAMENTE IGUAL no dia seguinte. No Carnaval não, o ano já começou, em geral chove (pelo menos em SC), ainda está irritantemente quente e a minha região (em Balneário Camboriú) entope de gente sem noção. A treva!

Então, vamos a mais um Carnaval. Pretendo ficar em casa, dormir, visitar alguns amigos, visitar meus pais, curtir meu Davi, trabalhar um pouco nesta vida de jornalista freelancer sem horários. Ou seja, exatamente como qualquer final de semana.

E bom Carnaval para todos!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

chuva, chega mais!



Ahhhh, finalmente a chuva linda, limpa, refrescante. Chuva necessária, para aliviar a alma e refrescar os miolos. Tá fresquinho, gostoso, saboroso. Dá vontade de sair correndo no meio dela, de pisar em poça d'água, de fazer molecagem.

Depois do calor que beira o insuportável, ela, a chuva, a água natural da terra, chega para nos aliviar. E se pararmos para pensar, é engraçado como ela pode ser tão temida e tão bem quista em tempos diferentes. Especialmente aqui em SC.

Neste momento, choveeeeeee chuva, chega mais!

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Que calor é esse???

E alguém sabe dizer quando vai passar este calor insuportável??? E tem gente que ainda não entende como não consigo gostar do verão. Te dou pelo menos meia dúzia de bons/maus motivos para isso: saimos do banho irritantemente suados, dormimos mal, fedemos mais, moleza no corpo, qualquer sol já arde o corpo. Tá, ok, não sou ser tão pessimista. Tomar banho de mar é legal e isso é beeeem legal no verão. Mas só!!!

Não sei você, mas a temperatura ambiente é DIRETAMENTE proporcional ao meu humor!

Motivos para amar um inverno bem frio: vinho tinto, edredon, chocolate quente, dormir abraçado, roupas elegantes, gente elegante, vento gelado no rosto na beira da praia (amo!!!), dias lindos de sol no litoral catarinense, gorro na cabeça, cachecol no pescoço, disposição para tudo.

Quando me aposentar, ainda me mudo para algum lugar onde o verão não passe dos 20 graus. E o inverno beire os 2 graus negativos. Tipo serra catarinense. Ou Alaska.

:D

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Uma imagem


Não precisa de mais nada. Um carinho dominical, uma rede para não fazer nada, um vinho tinto para embalar. É só isso (e tudo isso) que me faz feliz. Ou ainda uma imagem como esta, em que o mundo pára e sintetiza quase tudo. O amor é coisa para lá de boa. Assim, perto de mim, com um chamego assim.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Vida simples



Amo vento. Vento e frio, juntos ao mesmo tempo. É a natureza bruta, lambendo o rosto e lembrando quem é que, no fundo, ainda manda no planeta. Na volta de Buenos Aires até Colônia, já na volta para casa, filmei o vento batendo em nossos rostos, no topo da embarcação. Davi fechava o olhinho e sorria, feliz.

Gosto do extremo sul do Brasil. Gosto da Reserva do Taim, de fotografar os bichos e sentir o quanto o nosso País é imenso, diferente, multicolorido. Passamos pela Reserva do Taim na volta de viagem. A felicidade é tão simples. Não é?

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sol do Rio da Prata



Como diria meu pai, viajar e comer são duas as melhores coisas desta vida. Concordo em número, gênero e grau. E entre descobertas e re-descobertas, digo que o por e nascer-do-sol no Rio da Prata é um dos mais lindos que já vi. Segue fotinho tirada hoje pela manhã, as 7h15min da manhã, entre o Uruguai e a Argentina, a bordo do barco que nos trouxe até Buenos Aires.

Gosto desta cidade por um milhão de bons motivos. Faz parte de histórias. De linhas escritas. Toda uma vida.

Promessa para 2010

Sabe aquelas promessas de Ano Novo? Fazer um exercício, ler mais, fazer uma pós/mestrado/doutorado? Então. Tenho muitas, de todos os tipos. Prestar mais atenção na alimentação, no que ponho para dentro. Fazer exercício... Talvez... Tenho saudades da capoeira e também da natação.

Mas a promessa principal de 2010 está aqui, materializada neste texto. VOLTAR A ESCREVER NO BLOG. É algo que faz bem, renasce, revive, divide. Gosto de estar aqui. Gosto deste espaço como um diário (literalmente dia-a-dia) e comprometo-me a escrever aqui um texto, um suspiro, o sentimento do dia. Assim, como o vento, uma passagem, uma corrente, uma vontade que pode ou não se concretizar.

Reativo então o meu blog para falar de tudo um pouco. Daqui, daí, de lá. Eu volto a escrever. E a me reler. AMO!

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pai por inteiro



Ele chega sempre com aquele jeitinho calmo e silencioso. Cansado de um dia inteiro de trabalho, senta-se ao nosso lado, dá um beijo de boa noite e começa a conversar com o bebê. Quando Davi ouve a voz do pai, larga imediatamente o seio e dá um daqueles sorrisos largos mais lindos deste mundo.

É hora de brincar. Hora de preparar a banheira com água quentinha e “contar as novidades do dia” para o papai. O final do dia é, nitidamente, um dos momentos mais prazerosos para o nosso pequeno. Justamente quando o pai chega em casa.

Dizem que quando nasce um bebê, nasce também uma mãe. Pela minha experiência, posso dizer que nasce também um pai. Pela afinidade que o Adão sempre teve com as crianças, eu tinha convicção que seria um pai maravilhoso. E felizmente eu estava certa!

Ele é bem mais do que um colaborador. Sim, ele troca fraldas, dá banho, prepara a mamadeira, põe para dormir, leva para passear e acorda de madrugada. Mas, mais do que isso, é um pai presente de corpo e, principalmente, de alma. Afetuoso, paciente e dedicado. Um pai por inteiro. Parabéns pelo seu primeiro Dia dos Pais! O nosso Davi é um menino de muita sorte.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O primeiro Dia das Mães


Era 13h28min do dia 5 de março quando ele chegou. Enroladinho em um lençol azul, foi trazido pelas mãos do pai, que o encostou em meu rosto, em uma cena inesquecível. Davi parou imediatamente de chorar, enquanto seu cheirinho inebriante tomava conta do meu mundo.

Antes de Davi, eu nunca tinha trocado uma fralda. Não tenho sobrinhos e nem irmãos pequenos e não tinha a menor noção de como dar banho ou fazer um recém-nascido dormir. A partir daquele momento, senti como se Deus tivesse instalado um chip da responsabilidade no meu cérebro e, em poucos dias, eu era doutora em cuidados maternos.

Há dois meses, Davi tem me ensinado quase tudo sobre a vida. Sobre como desenvolver a capacidade de observação, o estado de alerta constante, a virtude da paciência e o hábito de acordar com um sorriso lindo no rosto. Davi me ensina a demorar menos no banho, a ser mais organizada – já que ele tem horário para mamar, dormir e “conversar” – e a observar os sinais. Davi me ensinou a observar mais as pessoas e potencializou meu amor pelo pai dele, pelos meus pais, pelos meus amigos.

Davi me faz buscar a mim mesma.

Obrigada, meu filho, por você me fazer descobrir quem que eu nem imaginava que era e por tudo o que eu ainda hei de aprender contigo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Carta a Davi


Falta pouco Davi. Em alguns dias, tu chegarás com toda a energia deste universo para invadir uma considerável parte de nossas almas. Seus pezinhos e mãozinhas de bebês, seus trejeitos, seu barulho, seu silêncio e suas histórias ocuparão o espaço infinito entre nossas alegrias e incertezas, entre nossas forças e fraquezas. Certamente, meu filho, terás mais a ensinar do que a aprender, porque as crianças nascem prontas, naturais, puro instinto.

Tenho planos para a gente. Os mais lindos e mais simples da vida. Como tomar banho de chuva nas tardes quentes de verão, contar estrelas deitados no jardim que fizemos para você ou subir uma montanha bem, bem alta, só para conferir o que se enxerga lá de cima. Em busca de um outro ponto de vista. Vamos ouvir as histórias dos velhos de Piratini, fazer piqueniqui no paço, viajar sem destino pelo interior do Uruguai.

Os presentes mais belos que os pais podem dar a uma criança são as viagens, as estradas por trilhar, os mundos a descobrir. Tu vais enxergar o quanto a vida pode ser grande e pequena ao mesmo tempo. E que quanto mais se anda por aí, menos a gente conhece os mistérios do que um dia dividiu o planeta em terras áridas e férteis, estações quentes e frias, desertos e campos de gelo, seres humanos de etnias diferentes. E que são justamente estas diferenças de cores, céus e sabores que fazem do planeta esta miscelânia louca e, às vezes, incompreensível. Tu entenderás quantas vidas cabem em uma única vida e que, às vezes, uma só é pouca para tantas vontades de ser.

Sabe Davi, o mundo aqui fora anda meio virado. Falta educação e solidariedade. Sobra superficialidade e pré-conceitos. As diferenças de credos não são respeitadas, assim como não o são as de opinião na esquina de casa. Mas eu acredito na tua geração, em uma nova safra de crianças sensíveis para a vida. Para seres humanos capazes de distinguir a diferença entre falta de oportunidade e preguiça, entre trabalho e discurso.

Tu entenderás que é preciso ter paciência para semear. De plantas a bebês. Que é necessário mais do que comida e poda para o que você quiser ver crescer. Que é preciso atenção, persistência e paz de espírito, além de uma energia que alguns preferem chamar de fé, outros de confiança. Em si mesmo e no universo. O segredo da felicidade, meu filho, não está em ter todos os brinquedos do mundo. Está no caminho que te leva até eles e no que você fará neste caminho. Deixar cair, juntar e levantar. Caminhar de novo, perder e ganhar. Cada coisa em seu lugar, cada passo em seu tempo.

Seja bem-vindo Davi! E não esqueça de fazer da vida uma experiência sensacional.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Faz sol no meu jardim...

Janela aberta
Olhos despertos
A vida chegou
Descortinou-se
Reinventou-se

Faz sol no meu jardim...
Lindo assim
Só para nós
Quando o verão chegar!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sobre Deus e outras coisas...

A fé das pessoas sempre me intrigou. Não a fé em si (palavra que define o acreditar em algo), mas o que elas fazem com esta fé, onde depositam sua energia, tempo e dedicação, e o resultado disso na vida delas.

Entre tantas espécies de igrejas que surgem e ressurgem a todo o instante, a Bola de Neve Church era a que mais me intrigava. O crescente número de surfistas, parapentistas, escaladores de montanhas, bailarinos, skatistas e toda a ramificação de “jovens que vivem a vida” a freqüentarem esta igreja martelavam na minha cabeça toda vez que eu passava em frente ao endereço: mas, afinal, o que ela tem que as outras não têm? E mais: seria esta uma igreja que finalmente conseguiu ver um Deus mais simples e menos distante de nós?

Lá fui eu para mais uma experiência “veja por vocês mesma e tire suas próprias conclusões” da minha vida. Domingo, culto cheio! O altar é uma prancha de surf??? “Opa, algo novo há de surgir por aqui”. A noite começa com show ao vivo e banda de rock. Deus aparece nas melodias de reggae, de rock, de uma balada suave. Todos – absolutamente todos – começam a dançar. E a dançar. E a dançar. Todo mundo dança mesmo! Em poucos minutos, dois ou três começam a entrar em transe. E mais um e mais um. Eu sempre achei para lá de esquisito esta história de entrar em transe, mas tudo bem, tô aqui mesmo, vou até o final.

Música e mais música, letras no telão, Jesus no telão, oração no telão. Depois de uma hora de show, é hora de todos sentarem. E o pastor fala de vida, de fé, lê trechos da Bíblia. E pede colaborações em dinheiro. Hora de colaborar...

Mais uma hora e meia de leituras, orações, interpretações da Bíblia a uma legião de jovens atenta. Pastores, cordeiros, irmão, pecado, céu, inferno, Deus, demônio, bem, mal e outras tantas palavras semelhantes a de qualquer outra igreja.

Devo confessar que saí de lá com uma pontinha de decepção. E certa de que o único diferencial da Bola de Neve Church é a linguagem própria para conversar com os jovens. A base do dogma, no entanto, não diferente de tantas outras.

Há algum tempo que reflito sobre o quê e por onde acreditar e evoluir. Ainda não encontrei até hoje uma igreja, filosofia ou linha de pensamento na qual me identificasse totalmente. Desconfio que seja pelo fato de 99% delas não admitir um outro olhar que não aquele que elas pregam. Intolerância de idéias?

Há muitas formas de buscar Deus ou seja lá que nome tiver o que as pessoas buscam. Uma amiga querida acaba de redescobrir a Gnose, uma linha de auto-observação e evolução interior bem bacana. Tem uma espécie de “manual” de três fatores em busca do silêncio, da liberdade e da felicidade interior. Ela está feliz! E eu estou feliz que ela encontrou o caminho que considera certo.

Infelizmente eu não acredito em manuais, nem em linhas fixas de buscar isso ou aquilo. Quanto mais eu caminho, mais estou certa de que Deus não está fora. Ele está aqui dentro. Não precisamos procurá-lo nas igrejas, nem em dízimos, nem nas culpas, nem nos pastores. Evolução é se auto-avaliar o tempo todo, é buscar o próprio manual, os próprios passos e a própria “igreja”, que pode ser em casa, no quarto, no carro ou tomando banho. De formas diferentes, para pessoas diferentes.

O equilíbrio é a base para a fecilidade e não o radicalismo. Não me façam acreditar que já nascemos pecadores. E que precisamos ir a igreja para conversar com Deus. Eu quero sempre o novo, de acordo com cada momento da vida. E o melhor de cada caminho. De preferência, sem culpas.

sábado, 12 de abril de 2008

Coisas que só acontecem com Luciana Zonta

Você já teve a sensação de que algumas coisas só acontecem com você? Pois eu tenho esta sensação SEMPRE, especialmente em dias como quinta-feira passada (10 de abril). Lá estava eu, naquela tórrida tarde de sol rachante de Itajaí, buscando o pagamento de mais um freela esperto que eu fiz no mês passado.

O contratante, para quem eu escrevo quase mensalmente, pagou em notas de 100, 50 e 10 reais. Saí da editora, feliz da vida com meu bolinho de garoupas e onças pintadas, quando, ao me direcionar à vaga do Knut (o nome fofo do nosso Fox branco), o bolo de dinheiro pulou da minha mão e se espalhou pela calçada.

- Ok, ok, calma lá pedrestes aproveitadores de situações como essa que eu vou juntar tudinho. Não se movam.

Como azar pouco é bobagem, enquanto eu juntava a grana, bateu um ventinho suave, uma brisa reconfortante vinda da foz do Rio Itajaí-Açu que ajudou a espalhar o dinheiro e a enfiar três notas (uma de 100, outra de 50 e outra de 10) em um bueiro posicionado bem ao lado do carro. Lá embaixo, era possível ver os meus 160 reais inatingíveis (minha mão não passava pelo buraco estreito do bueiro) sorrindo para mim. Uma cena digna de Mr. Been!

Olhei para os dois lados e me certifiquei que ninguém havia presenciado o mico financeiro. Na minha esquerda, um grupinho de pedreiros e pintores davam o acabamento final a uma sala comercial da Rua Lauro Müller. Uma lâmpada surgiu sobre minha cabeça: idéia!

- Meninos, pelo amor de Deus, só vocês podem me ajudar!

Todos pararam o que faziam e me olharam com um ar de surpresa e desconfiança. E de descrédito também.

- Caíram três notas de dinheiro naquele bueiro. Quem conseguir resgatar para mim leva a de R$ 10!!!

Imediatamente, o grupo largou pincéis e lixas e pularam ao lado do bueiro, já pensando em uma forma de tirar a minha grana (e agora deles também) do buraco. Imediatamente, o filhinho do mestre de obras - que devia ter entre seis e sete anos de idade - saiu lá da sala gritando "É minha, é minha!". Em seguida, deitou-se na calçada, enfiou sua mãozinha pequena e magrinha entre os filetes estreitos do bueiro e salvou as três notas. Devolveu-me a de 100 e a de 50 e comemorou a nota de 10 reais que acabara de ganhar.

Os marmanjos murcharam. E eu voltei a sorrir, feliz e contente. "Morri só com 10 reais e não com 160", logo pensei.

Embarquei no carro e, quando eu já dava sinal para entrar na rua, um dos pintores bateu na janela e disse. "Moça, moça, quando vier aqui novamente e perder o dinheiro no bueiro, pode chamar a gente de novo, tá?".

Eu dei risada. E agradeci a disposição do moço. Definitivamente, coisas que só acontecem comigo...

P.S: E o que você aprendeu com isso, criança feliz??? A nunca mais sair com dinheiro na mão, só na bolsa. Dããããã.

domingo, 23 de março de 2008

Sempre Mário Quintana

"O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconsqüente conversa

Todos os poemas são um mesmo poema
Todos os porres são os mesmos porres
Não é de uma vez que se morre...
Todas as horas são horas extremas!"

Porque hoje é sergunda...


E só porque hoje é segunda-feira e o dia dele... Eu posso dizer tantas coisas, tantas pequenas coisas que fazem dele o que ele é. Seu jeito simples de dizer quase tudo, de falar pelos olhos e bem melhor do que com palavras. Pelo jeito como me olha de manhã cedo, quando ainda durmo. Por seu rosto concentrado (e engraçado) quando assiste desenho animado na TV.

E porque hoje é segunda e porque ele é tão diferente de mim e justamente por ser tão diferente me fazer tão igual. Por eu tê-lo escolhido entre tantas pessoas com quem eu poderia ser feliz na vida. E porque é ele. Por ser doce, por ser negro, por ser quieto, por ter um abraço forte, por dormir em um quarto cheio de girafas de pelúcia, por ter a paz das manhãs de sábado... E porque hoje é segunda e o dia dele, eu poderia dizer tantas coisas...