quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Pai por inteiro



Ele chega sempre com aquele jeitinho calmo e silencioso. Cansado de um dia inteiro de trabalho, senta-se ao nosso lado, dá um beijo de boa noite e começa a conversar com o bebê. Quando Davi ouve a voz do pai, larga imediatamente o seio e dá um daqueles sorrisos largos mais lindos deste mundo.

É hora de brincar. Hora de preparar a banheira com água quentinha e “contar as novidades do dia” para o papai. O final do dia é, nitidamente, um dos momentos mais prazerosos para o nosso pequeno. Justamente quando o pai chega em casa.

Dizem que quando nasce um bebê, nasce também uma mãe. Pela minha experiência, posso dizer que nasce também um pai. Pela afinidade que o Adão sempre teve com as crianças, eu tinha convicção que seria um pai maravilhoso. E felizmente eu estava certa!

Ele é bem mais do que um colaborador. Sim, ele troca fraldas, dá banho, prepara a mamadeira, põe para dormir, leva para passear e acorda de madrugada. Mas, mais do que isso, é um pai presente de corpo e, principalmente, de alma. Afetuoso, paciente e dedicado. Um pai por inteiro. Parabéns pelo seu primeiro Dia dos Pais! O nosso Davi é um menino de muita sorte.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O primeiro Dia das Mães


Era 13h28min do dia 5 de março quando ele chegou. Enroladinho em um lençol azul, foi trazido pelas mãos do pai, que o encostou em meu rosto, em uma cena inesquecível. Davi parou imediatamente de chorar, enquanto seu cheirinho inebriante tomava conta do meu mundo.

Antes de Davi, eu nunca tinha trocado uma fralda. Não tenho sobrinhos e nem irmãos pequenos e não tinha a menor noção de como dar banho ou fazer um recém-nascido dormir. A partir daquele momento, senti como se Deus tivesse instalado um chip da responsabilidade no meu cérebro e, em poucos dias, eu era doutora em cuidados maternos.

Há dois meses, Davi tem me ensinado quase tudo sobre a vida. Sobre como desenvolver a capacidade de observação, o estado de alerta constante, a virtude da paciência e o hábito de acordar com um sorriso lindo no rosto. Davi me ensina a demorar menos no banho, a ser mais organizada – já que ele tem horário para mamar, dormir e “conversar” – e a observar os sinais. Davi me ensinou a observar mais as pessoas e potencializou meu amor pelo pai dele, pelos meus pais, pelos meus amigos.

Davi me faz buscar a mim mesma.

Obrigada, meu filho, por você me fazer descobrir quem que eu nem imaginava que era e por tudo o que eu ainda hei de aprender contigo.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Carta a Davi


Falta pouco Davi. Em alguns dias, tu chegarás com toda a energia deste universo para invadir uma considerável parte de nossas almas. Seus pezinhos e mãozinhas de bebês, seus trejeitos, seu barulho, seu silêncio e suas histórias ocuparão o espaço infinito entre nossas alegrias e incertezas, entre nossas forças e fraquezas. Certamente, meu filho, terás mais a ensinar do que a aprender, porque as crianças nascem prontas, naturais, puro instinto.

Tenho planos para a gente. Os mais lindos e mais simples da vida. Como tomar banho de chuva nas tardes quentes de verão, contar estrelas deitados no jardim que fizemos para você ou subir uma montanha bem, bem alta, só para conferir o que se enxerga lá de cima. Em busca de um outro ponto de vista. Vamos ouvir as histórias dos velhos de Piratini, fazer piqueniqui no paço, viajar sem destino pelo interior do Uruguai.

Os presentes mais belos que os pais podem dar a uma criança são as viagens, as estradas por trilhar, os mundos a descobrir. Tu vais enxergar o quanto a vida pode ser grande e pequena ao mesmo tempo. E que quanto mais se anda por aí, menos a gente conhece os mistérios do que um dia dividiu o planeta em terras áridas e férteis, estações quentes e frias, desertos e campos de gelo, seres humanos de etnias diferentes. E que são justamente estas diferenças de cores, céus e sabores que fazem do planeta esta miscelânia louca e, às vezes, incompreensível. Tu entenderás quantas vidas cabem em uma única vida e que, às vezes, uma só é pouca para tantas vontades de ser.

Sabe Davi, o mundo aqui fora anda meio virado. Falta educação e solidariedade. Sobra superficialidade e pré-conceitos. As diferenças de credos não são respeitadas, assim como não o são as de opinião na esquina de casa. Mas eu acredito na tua geração, em uma nova safra de crianças sensíveis para a vida. Para seres humanos capazes de distinguir a diferença entre falta de oportunidade e preguiça, entre trabalho e discurso.

Tu entenderás que é preciso ter paciência para semear. De plantas a bebês. Que é necessário mais do que comida e poda para o que você quiser ver crescer. Que é preciso atenção, persistência e paz de espírito, além de uma energia que alguns preferem chamar de fé, outros de confiança. Em si mesmo e no universo. O segredo da felicidade, meu filho, não está em ter todos os brinquedos do mundo. Está no caminho que te leva até eles e no que você fará neste caminho. Deixar cair, juntar e levantar. Caminhar de novo, perder e ganhar. Cada coisa em seu lugar, cada passo em seu tempo.

Seja bem-vindo Davi! E não esqueça de fazer da vida uma experiência sensacional.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Faz sol no meu jardim...

Janela aberta
Olhos despertos
A vida chegou
Descortinou-se
Reinventou-se

Faz sol no meu jardim...
Lindo assim
Só para nós
Quando o verão chegar!

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sobre Deus e outras coisas...

A fé das pessoas sempre me intrigou. Não a fé em si (palavra que define o acreditar em algo), mas o que elas fazem com esta fé, onde depositam sua energia, tempo e dedicação, e o resultado disso na vida delas.

Entre tantas espécies de igrejas que surgem e ressurgem a todo o instante, a Bola de Neve Church era a que mais me intrigava. O crescente número de surfistas, parapentistas, escaladores de montanhas, bailarinos, skatistas e toda a ramificação de “jovens que vivem a vida” a freqüentarem esta igreja martelavam na minha cabeça toda vez que eu passava em frente ao endereço: mas, afinal, o que ela tem que as outras não têm? E mais: seria esta uma igreja que finalmente conseguiu ver um Deus mais simples e menos distante de nós?

Lá fui eu para mais uma experiência “veja por vocês mesma e tire suas próprias conclusões” da minha vida. Domingo, culto cheio! O altar é uma prancha de surf??? “Opa, algo novo há de surgir por aqui”. A noite começa com show ao vivo e banda de rock. Deus aparece nas melodias de reggae, de rock, de uma balada suave. Todos – absolutamente todos – começam a dançar. E a dançar. E a dançar. Todo mundo dança mesmo! Em poucos minutos, dois ou três começam a entrar em transe. E mais um e mais um. Eu sempre achei para lá de esquisito esta história de entrar em transe, mas tudo bem, tô aqui mesmo, vou até o final.

Música e mais música, letras no telão, Jesus no telão, oração no telão. Depois de uma hora de show, é hora de todos sentarem. E o pastor fala de vida, de fé, lê trechos da Bíblia. E pede colaborações em dinheiro. Hora de colaborar...

Mais uma hora e meia de leituras, orações, interpretações da Bíblia a uma legião de jovens atenta. Pastores, cordeiros, irmão, pecado, céu, inferno, Deus, demônio, bem, mal e outras tantas palavras semelhantes a de qualquer outra igreja.

Devo confessar que saí de lá com uma pontinha de decepção. E certa de que o único diferencial da Bola de Neve Church é a linguagem própria para conversar com os jovens. A base do dogma, no entanto, não diferente de tantas outras.

Há algum tempo que reflito sobre o quê e por onde acreditar e evoluir. Ainda não encontrei até hoje uma igreja, filosofia ou linha de pensamento na qual me identificasse totalmente. Desconfio que seja pelo fato de 99% delas não admitir um outro olhar que não aquele que elas pregam. Intolerância de idéias?

Há muitas formas de buscar Deus ou seja lá que nome tiver o que as pessoas buscam. Uma amiga querida acaba de redescobrir a Gnose, uma linha de auto-observação e evolução interior bem bacana. Tem uma espécie de “manual” de três fatores em busca do silêncio, da liberdade e da felicidade interior. Ela está feliz! E eu estou feliz que ela encontrou o caminho que considera certo.

Infelizmente eu não acredito em manuais, nem em linhas fixas de buscar isso ou aquilo. Quanto mais eu caminho, mais estou certa de que Deus não está fora. Ele está aqui dentro. Não precisamos procurá-lo nas igrejas, nem em dízimos, nem nas culpas, nem nos pastores. Evolução é se auto-avaliar o tempo todo, é buscar o próprio manual, os próprios passos e a própria “igreja”, que pode ser em casa, no quarto, no carro ou tomando banho. De formas diferentes, para pessoas diferentes.

O equilíbrio é a base para a fecilidade e não o radicalismo. Não me façam acreditar que já nascemos pecadores. E que precisamos ir a igreja para conversar com Deus. Eu quero sempre o novo, de acordo com cada momento da vida. E o melhor de cada caminho. De preferência, sem culpas.

sábado, 12 de abril de 2008

Coisas que só acontecem com Luciana Zonta

Você já teve a sensação de que algumas coisas só acontecem com você? Pois eu tenho esta sensação SEMPRE, especialmente em dias como quinta-feira passada (10 de abril). Lá estava eu, naquela tórrida tarde de sol rachante de Itajaí, buscando o pagamento de mais um freela esperto que eu fiz no mês passado.

O contratante, para quem eu escrevo quase mensalmente, pagou em notas de 100, 50 e 10 reais. Saí da editora, feliz da vida com meu bolinho de garoupas e onças pintadas, quando, ao me direcionar à vaga do Knut (o nome fofo do nosso Fox branco), o bolo de dinheiro pulou da minha mão e se espalhou pela calçada.

- Ok, ok, calma lá pedrestes aproveitadores de situações como essa que eu vou juntar tudinho. Não se movam.

Como azar pouco é bobagem, enquanto eu juntava a grana, bateu um ventinho suave, uma brisa reconfortante vinda da foz do Rio Itajaí-Açu que ajudou a espalhar o dinheiro e a enfiar três notas (uma de 100, outra de 50 e outra de 10) em um bueiro posicionado bem ao lado do carro. Lá embaixo, era possível ver os meus 160 reais inatingíveis (minha mão não passava pelo buraco estreito do bueiro) sorrindo para mim. Uma cena digna de Mr. Been!

Olhei para os dois lados e me certifiquei que ninguém havia presenciado o mico financeiro. Na minha esquerda, um grupinho de pedreiros e pintores davam o acabamento final a uma sala comercial da Rua Lauro Müller. Uma lâmpada surgiu sobre minha cabeça: idéia!

- Meninos, pelo amor de Deus, só vocês podem me ajudar!

Todos pararam o que faziam e me olharam com um ar de surpresa e desconfiança. E de descrédito também.

- Caíram três notas de dinheiro naquele bueiro. Quem conseguir resgatar para mim leva a de R$ 10!!!

Imediatamente, o grupo largou pincéis e lixas e pularam ao lado do bueiro, já pensando em uma forma de tirar a minha grana (e agora deles também) do buraco. Imediatamente, o filhinho do mestre de obras - que devia ter entre seis e sete anos de idade - saiu lá da sala gritando "É minha, é minha!". Em seguida, deitou-se na calçada, enfiou sua mãozinha pequena e magrinha entre os filetes estreitos do bueiro e salvou as três notas. Devolveu-me a de 100 e a de 50 e comemorou a nota de 10 reais que acabara de ganhar.

Os marmanjos murcharam. E eu voltei a sorrir, feliz e contente. "Morri só com 10 reais e não com 160", logo pensei.

Embarquei no carro e, quando eu já dava sinal para entrar na rua, um dos pintores bateu na janela e disse. "Moça, moça, quando vier aqui novamente e perder o dinheiro no bueiro, pode chamar a gente de novo, tá?".

Eu dei risada. E agradeci a disposição do moço. Definitivamente, coisas que só acontecem comigo...

P.S: E o que você aprendeu com isso, criança feliz??? A nunca mais sair com dinheiro na mão, só na bolsa. Dããããã.

domingo, 23 de março de 2008

Sempre Mário Quintana

"O tempo é indivisível. Dize,
Qual o sentido do calendário?
Tombam as folhas e fica a árvore,
Contra o vento incerto e vário.

A vida é indivisível. Mesmo
A que se julga mais dispersa
E pertence a um eterno diálogo
A mais inconsqüente conversa

Todos os poemas são um mesmo poema
Todos os porres são os mesmos porres
Não é de uma vez que se morre...
Todas as horas são horas extremas!"